21 de novembro de 2017

Estabelecimentos Comerciais de Lisboa (56)

“J. Vilanova & C.ª ”, na Rua da Boavista

“J. Castello Branco”, na Rua das Portas de Santo Antão

“Casa Victoria” - Bicyclettes, na Rua da Victoria

“Américo Moreira” - Alfaiates, na Rua Augusta

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

19 de novembro de 2017

Hotel Residencial Infante Santo

O “Hotel Residencial Infante Santo”, projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa e propriedade da empresa “F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”, foi inaugurado no dia 28 de Maio de 1957, na esquina da Avenida 24 de Julho com a Avenida Infante Santo, em Lisboa.

“Hotel Residencial Infante Santo” dias antes da inauguração, e no dia da inauguração

 

A empresa proprietária do Hotel, “F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”, fundada em 1895 e que actuava no ramo do comércio de materiais para a construção civil, com instalações contíguas ao Hotel, na Avenida 24 de Julho, ao comemorar os seus 60 anos decide entregar o projecto desta unidade hoteleira a construir no seu terreno, ao arquitecto Alberto Pessoa (1919-1985) em 1955. Lembro que este arquitecto já era responsável pelos projectos dos grandes edifícios habitacionais na Avenida Infante Santo.

“F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”

Terreno onde viria a ser implantado o “Hotel Residencial Infante Santo” e projecto inicial do arquitecto Alberto Pessoa

 

À data da sua inauguração, o “Hotel Residencial Infante Santo”, classificado com 3 estrelas, oferecia 27 quartos, sendo que 5 eram suites e 22 duplos,todos equipados com casa de banho, telefone e TV.  Tinha serviços de cabeleireiro e manicure, lavandaria e pequenos-almoços. No piso da entrada principal pela Rua Tenente Valadim, tinha Bar, Snack-Bar. O “Restaurante Infante Santo” ocupava a loja do edifício era independente do Hotel, tendo sido dado à exploração.

 

Etiquetas de bagagem e anúncio em 9 de Novembro de 1957

Hotel Infante Santo.1 Hotel Infante Santo.5 (9-11-1957) 

Conjunto residencial projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa para a Avenida infante Santo

Em 1983 o “INATEL - Instituto para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores” adquiriu este Hotel e a partir desse ano e até ao seu encerramento, em 1998, serviu de Centro de Férias. O seu encerramento como unidade hoteleira ficou a dever-se à evolução da zona onde está inserido, que acabou por se transformar numa área «pouco turística, com muito movimento automobilístico e com a construção de um viaduto que passa ao lado e em frente dos quartos», referia um responsável do Inatel. Isto aliado à sua pequena dimensão (só tinha 30 quartos), que dificultava a sua gestão no âmbito do Turismo Social, e ainda o facto de serem necessárias obras de reabilitação e de actualização de normas hoteleiras acabou por ser decisivo para os responsáveis do Inatel encerrarem o hotel.

Desde o fecho, o edifício foi arrendado ao “Instituto da Segurança Social, I.P.”, «que realizou estudos para o utilizar como equipamento de Solidariedade Social», mas em 2013 seria assaltado e vandalizado.

Estado actual do edifício em fotos retiradas do “Google Maps”

 

Este edifício encontra-se encerrado e pertence à “Fundação Inatel” que o herdou da então “INATEL - Instituto para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores” aquando da mudança de estatutos desta em 25 de Junho de 2008.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa

16 de novembro de 2017

Teatro Avenida em Coimbra

O “Teatro-Circo do Principe Real D. Luiz Filipe”, após 5 de Outubro de 1910 renomeado de “Teatro Avenida”, na Avenida Sá da Bandeira em Coimbra, propriedade de António Jacob Junior, Moraes Silvano e Mendes d'Abreu, foi projectado pelo arquitecto Hans Dickel, e inaugurado em 20 de Janeiro de 1892.

“Teatro-Circo do Principe Real D. Luiz Filipe” a seguir à sua inauguração

Enquadramento do “Teatro Avenida” na Avenida Sá da Bandeira

A sua construção, em terrenos cedidos pela Câmara Municipal de Coimbra, teve início em 1891 e nela trabalharam cerca de 100 operários. Dos estuques encarregou-se Francisco António Meira. As grades dos camarotes, as colunas que os sustentam e as cadeiras para a prateia foram fundidas na oficina de Manuel José da Costa Soares.

Este Teatro, oferecia: 28 camarotes de uma só ordem, 8 frisas, 28 lugares de balcão, 450 cadeiras e 450 lugares de geral.

«Para qualquer companhia é o theatro alugado por 80$000 réis. O actual emprezario, que procura sempre variar os espectaculos com peças escolhidas das melhores companhias e que é fiel cumpridor dos seus deveres, é o sr. Manoel Francisco Esteves. Tem o theatro orchestra e banda, sob a direcção do habil e intelligente professor Dias Costa. É esta casa de espectaculos muito elegante e tem commodidades. Na epocha propria é muito frequentado pelos academicos.» in: “Diccionario do Theatro Portuguez” - Sousa Bastos - 1908

A sala de espectáculos, com um «pano de boca» pintado por mestre António Augusto Gonçalves, tinha capacidade para 1.700 espectadores e o seu custo ultrapassou os 20 000$000 réis. Podiam lá realizar-se espetáculos equestres, de declamação e canto. Embora os espaços de recepção e hall de entrada fossem construídos em alvenaria de pedra, o espaço central e cúpula tinham estrutura metálica, vinda de um Teatro mais antigo, o "Teatro-Circo Do Arnado".

 

A inauguração do, então, “Teatro Circo do Principe Real D. Luiz Filipe”, contou com a atuação de uma «companhia equestre, gymnástica, acrobática, cómica e mimíca, do Real Coilyseo , de Lisboa, de que é director o sr. D. Henrique Diaz»

« (...) Ao longo dos anos passaram pelo Avenida e lá atuaram muitas e famosas companhias, mas o velho teatro também teve papel de relevo na vida académica. No entanto, logo em 1894, se verificou uma tentativa de mudança de donos, que não sabemos se realmente veio a concretizar-se e em 1902 o Sr. António Jacob Júnior passou a ser o novo proprietário do imóvel, embora se falasse no surgimento de uma empresa que passaria a explorá-lo.» Anacleto, R. O fim do Teatro Avenida?, In Domingo, Coimbra.

Projeccionista do “Teatro Circo do Principe Real D. Luiz Filipe”, em 1902

Cédula de 10 centavos do “Teatro Avenida”

“Teatro Avenida” em 1962

 

                                             1959                                                                                           1964

  

14 de Fevereiro de 1964

                     

Apesar de nos últimos anos estar mais vocacionado para sala de Cinema, a última peça de teatro que esteve em cena no “Teatro Avenida”, foi “Delírios dell’Arte” pela “Companhia Teatro Meridional”.

Nos finais dos anos 70 do século XX,  o “Teatro Avenida” é demolido e no início dos anos 80 foi construído um edifício que albergou o Centro Comercial “Galerias Avenida”.

O espaço que tinha sido preservado do antigo “Teatro Avenida”, inserido no edifício do Centro Comercial, abriria em 12 de Novembro de 2010 com cara e nome novos, o “Theatrix”, um espaço nocturno e sala de espectáculos, vocacionada sobretudo para a música, com concertos e sessões de DJ, stand-up comedy, novo circo, dança e também cinema. Viria a encerrar, creio que em 2014.

“Theatrix”

fotos in: Opsis, Tuna Académica da Universidade de Coimbra, Guitarra de Coimbra

14 de novembro de 2017

Curiosidades Automobilísticas (29)

Stand da “A. M. Almeida, Lda.”, em 1924, dias antes da abertura, na Rua da Escola Politécnica, em Lisboa

Stand da “Sociedade Portuguesa de Automóveis, Lda.”, em 1929, na Avenida da Liberdade em Lisboa

Stand da firma “Rios d’Oliveira”, na Avenida da Liberdade em Lisboa

Linha de montagem da “Ford Lusitana, S.A.R.L.”, inaugurada por Henry Ford II em 6 de Janeiro de 1964, na Azambuja

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

12 de novembro de 2017

Ourivesaria Aliança

A “Ourivesaria Aliança”, propriedade de Celestino da Motta Mesquita e projectada pelo arquitecto Artur Alves Cardoso, foi inaugurada pelo Chefe de Estado, General Óscar Carmona, na Rua Garrett, em Lisboa, no dia 21 de Dezembro de 1944.

Este estabelecimento, era sucursal da “Ourivesaria Aliança” localizada na cidade do Porto, na Rua das Flores tornejando para a  Rua dos Caldeireiros depois de Celestino da Motta Mesquita a ter fundado, em 1925. O projecto desta grande ourivesaria, ficou a cargo do arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira.

 “Ourivesaria Aliança” na Rua das Flores, no Porto em 1933                                              1925                 

   

Stand da “Ourivesaria Aliança”, na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”, entre 7 de Setembro de 1922 e 24 de Julho de 1923 inserida nas comemorações do Centenário da Independência do Brasil

Publicidade por ocasião da “Exposição Colonial Portuguesa”, no Porto em 1934

1934

O espaço ocupado pela “Ourivesaria Aliança”, em Lisboa, tinha sido ocupado pela sucursal da Ourivesaria “Miranda & Filhos”, na Rua de Santo António, no Porto que por sua vez tinha substituído os anterior inquilinos, espaço comercial de ouro e joias, primeiramente sob direcção da firma “Teixeira & Commandita”, instalados desde 1904, que por sua vez tinham substituído os anteriores inquilinos, “Armadores e Estofadores Pereira Gonçalves & Irmão”, ali instalados desde 1885.

Projecto de 1903 para a fachada da “Teixeira & Commandita”

“Teixeira & Commandita”

Posteriormente, em 1909, esta loja seria ocupada pela Ourivesaria “Miranda e Filhos”, com sede na cidade do Porto, na Rua de Santo António.

Ourivesaria “Miranda e Filhos”, na Rua de Santo António no Porto

 

Em 14 de Janeiro de 1914, a “Miranda & Filhos”, com a intenção de encetar uma profunda remodelação das suas instalações, apresentam um pedido de alteração da fachada do estabelecimento da Rua Garrett n.os 50 a 52, o qual é aprovado em 7 de Março do mesmo ano, que corresponde ao existente. Numa decoração dos seus interiores ao estilo Luís XVI, e igualmente, de 1914, sob o risco de Artur Alves Cardoso (1882-1930), terá sido pintada no tecto do Salão Principal a tela "Toilette de Vénus", bem como os vários medalhões ovais nas paredes da mesma sala.

Ourivesaria “Miranda & Filhos”, abaixo do “Café Chiado”, em 1935

21 de Dezembro de 1925

                       Á direita na foto do “Café Chiado”                            Ourivesaria “Miranda & Filhos”, na elipse desenhada

 

A propósito da «nova» Ourivesaria “Miranda & Filhos”,podia- se ler no jornal “A Capital”, em 14 de Julho de 1916:

«Tudo n'aquella cathedral da joia artistica e da pedra preciosa respira a elegancia e bom gosto. Nas montras, sugiram peças de argentaria que deslumbraram, enormes brilhantes que custavam dez e doze mil escudos, perolas de uma belleza imcomparavel, thesouros de inestimavel valor.
Até ao apparecimento da casa Miranda & Filhos, Lisboa não vira mais opulentas collecções de joias, como não vira ourivesaria mais rica, mais artistica, mais deslumbrante. Ella é filial de uma outra não menos rica nem menos afamada que os srs. Miranda & Filhos possuem no Porto, na Rua 31 de Janeiro, a qual é para a capital do Norte o que a casa do Chiado é para Lisboa. Estabelecimentos como este, que nada se parecem com os d'outros tempos, honram os seus proprietarios e as cidades que os possuem.»

A “Ourivesaria Aliança” surgiu, em Lisboa, após a aquisição efectuada, por parte da sede localizada no Porto, em 1940, do espaço da ourivesaria “Miranda & Filhos” e do armazém existente nas traseiras, tendo ficado as obras de ampliação para a construção do Salão de Exposições sob a responsabilidade do arquiteto Oliveira Ferreira. Em 1940, ter-se-á dado início às obras de ampliação da Ourivesaria, transformando o rés-do-chão e a sobreloja num único espaço amplo, tendo-se para o efeito substituído o piso superior por uma galeria circundante.

Interior da “Ourivesaria Aliança” após a sua inauguração em 1940, em fotos de 2004

 

 

No dia da inauguração da “Ourivesaria Aliança”, podia- se ler no jornal “Diario de Lisbôa”, de 21 de Dezembro de 1944:

«Falar de tão grandiosa obra é o mesmo que homenagear o sr. Celestino Mesquita, que pôs nela toda a sua inteligencia, todos os conhecimentos que possue, expondo, em valioso certame, as suas opulentas pratas de arte, tão célebres no país, como no estrangeiro, pratas que, nas maiores esposições internacionais, mereceram com justiça grandes prémios e "hors-concours. Nada existe na sala de vendas, como no lindo salão nobre, estilo Luis XVI, que não esteja em relação com o bom gôsto e luxo exuberante.»

1957

1963

A “Ourivesaria Aliança”, em Lisboa encerraria as suas portas no dia 15 de Fevereiro de 2012. Adquirida pela cadeia de joelharias espanhola “Tous”, depois de uma profunda e belíssima reforma das instalações, reabriria em 17 de Dezembro de 2012, com a designação de “Tous”. O projecto, com assinatura da “Solayme Real Estate”, uma empresa espanhola de recuperação de imóveis, contou com uma equipa de arquitectos, onde constam alguns portugueses.

Fotos actuais que, felizmente, dispensam quaisquer comentários

 

 

 

 

A “Tous” foi fundada em 1920 e assenta num modelo de negócio familiar que é gerido por Salvador Tous e Rosa Oriol. A empresa que sempre se dedicou à joalharia, expandiu a sua oferta para acessórios, perfumes e relógios. Com sede em Barcelona, tem cerca de 400 lojas em 45 países.

Quanto às instalações da “Ourivesaria Aliança” na Rua das Flores, no Porto, parte delas estão, actualmente, ocupadas pela casa de chá “Joia da Coroa” .

Apesar da sua finalidade ter sido bem diferente, simplesmente exemplar !!

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Estação Cronographica, Oportocool