31 de maio de 2015

Concurso de Cavalos de Carroça

O “Concurso de Cavallos de Carroça” teve lugar no Campo Grande, em Lisboa no dia 1 de Outubro de 1911, promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, premiando cavalos e carroças.

Concentração no Campo Grande


O jornal “A Vanguarda” noticiava assim este Concurso:

«O sr. Francisco Grandella, em uma das ultimas sessões camararias, propuzera, que, no intuito de incitar os tratadores ao bom cuidado dos cavallos de carroça, se fizesse um concurso com premios monetarios.
Assim, hontem, na rua Occidental do Campo Grande, justamente no mesmo local onde ha meses se celebrou o concurso de raça bovina, junto ao Chalet das Canas, realizou-se o concurso de cavallos de carroças, estando o terreno dividido para vehiculos tirados por um cavallo, por uma parelha e para vehiculos ornamentados.
O local estava ornamentado com bandeiras e a philarmonica de Aveiras de Cima, com os seus pittorescos trajos de campino, executava alguns numeros de musica.»

Notícia e pormenores na véspera do Concurso, no jornal “A Vanguarda”



Compareceram 114 carroças e o serviço de manutenção da ordem foi assegurado por guardas da 3ª esquadra e por uma força de soldados da "Guarda Nacional Republicana".

Início do desfile que se realizou entre o Campo Grande e o Rossio


 Cavalos “reabastecendo” num bebedouro e concentração final


29 de maio de 2015

Restaurante "Castanheira"

O restaurante “Castanheira" abriu as suas portas em 16 de Abril de 1949, na Estrada da Torre, no Lumiar em Lisboa. O seu fundador e proprietário foi João Castanheira de Moura (1865-1961), nascido em Vila Seca, Tábua. Veio para Lisboa, onde se estabeleceu e, com o tempo, funda 246 estabelecimentos de produção e venda de pão, além de ter sido um dos fundadores da "FEP - Federação Espírita Portuguesa" em 1926.

Postal do restaurante “Castanheira”

Primeiro anúncio publicitário, em 23 de Abril de 1949,  aquando da sua abertura

João Castanheira de Moura (1865-1961)



    

Artigo na revista “Illustração Portugueza” em 1 de Fevereiro de 1915 e anúncio de 1906

 

O restaurante “Castanheira” foi implantado na vasta propriedade do seu fundador, Sr. Castanheira de Moura, possuindo café-bar, 2 salas de restaurante que ladeavam um grande salão-restaurante com capacidade para 300 pessoas, e com pista de dança, onde aos Sábados e Domingos actuava uma orquestra privativa.

Entrada do restaurante “Castanheira” e capa de ementa




“Diário Popular”, de 8 de Junho de 1955


“Gazeta dos Caminhos de Ferro”, de 1 Janeiro de 1963


Com um vasto parque automóvel, e, para completar este conjunto, estava equipado com uma “Esplanada-Cinema”, inserido num agradável parque que no Verão funcionava de molde a permitir que os clientes, que jantassem no restaurante, pudessem assistir à exibição de filmes. Mais tarde este parque veio a ser dotado de pequenas salas independentes tipo "moradia" para ali se fazerem banquetes de casamentos, batizados e outros eventos sociais.

Grupo do “Jornal do Comércio” junto ao écran do “Esplanada-Cinema”



«o cinema era ao ar livre (em principio só funcionaria no Verão), numa esplanada por detrás do restaurante numa zona cimentada, era um bocado pobre mas era o que havia, com o pessoal sentado em cadeiras e os filmes eram projectados num pano branco, íamos de eléctrico do Campo Grande até ao fim da linha que era no Lumiar que custava 5 tostões e depois a pé até ao Castanheira cuja entrada custava 10 ou 15 tostões?". Houve ainda mais dois cinemas naquela zona mas já um pouco afastados do Lumiar e que eram: O Cine Estrela no Campo das Amoreiras na Charneca do Lumiar e o Cine Texas na rua de Santo António também na Charneca do Lumiar.» in: “Citizen Grave

Recordo que, o Sr. Castanheira de Moura, e seus herdeiros foram até aos finais da década de 60 do século XX, os proprietários dos terrenos, a onde foi construído o “Bairro da Cruz Vermelha”, no Lumiar, terrenos esses onde eram cultivados cereais para alimentar a fabrica de farinha que também era de sua propriedade, localizada nas traseiras do Restaurante.

Aspecto em Setembro de 2010, depois de encerrado nos anos 80 do século XX


Seria definitivamente demolido em Novembro de 2010.

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaHemeroteca Digital, Ruas de Lisboa com Alguma História

28 de maio de 2015

Antigamente (116)

Traineira em construção e carrinha do extinto jornal "Diário Popular" em Pedrouços, Lisboa


Máquina de projecção de filmes portátil


O fotógrafo Mário Novais, em Sintra em 1940


Antigo "Casino Estoril" inaugurado em 15 de Agosto de 1931


26 de maio de 2015

Quiosques de Lisboa (6)

Quiosque na Praça do Príncipe Real, em 1908

Quiosque na Avenida da Liberdade

Quiosque no Largo do Carmo, em 1959

Quiosque na Praça do Príncipe Real, em 1959

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

24 de maio de 2015

Hotel Metrópole

O “Hotel Metropole”, localizado na Praça D.Pedro IV (Rossio), em Lisboa, foi fundado pelo empresário hoteleiro Alexandre d’Almeida, em 18 de Novembro de 1914, através da firma recém constituída “Hotéis Alexandre d’Almeida”, que tinha acabado de adquirir, por trespasse o “Francfort Hotel”, com 140 quartostambém ele localizado na mesma Praça, praticamente em frente.

Anúncio da abertura do “Hotel Metropole” em 18 de Novembro de 1914 no jornal “A Capital”

Na foto anterior, por altura da sua inauguração, no piso térreo (e da esquerda para a direita): “Leitaria Luzo Central”, loja de roupas e a farmácia “Azevedo Filhos” .

Acerca das origens deste Hotel, Norberto de Araújo escrevia no Vol. XII de “Peregrinações em Lisboa”:

«O Metrópole ... Este prédio pertence, desde muito longa data, à irmandade de S. Bartolomeu dos Alemães, que ordenou obras em 1914, levadas a efeito por um arquitecto alemão, como vês pela fachada quebrando, lamentávelmente, a linha arquitectónica geral da urbanização da Praça. Em 1914 instalou-se aqui uma Sociedade Hoteleira alemã. Veio a guerra, para nós, portugueses ,em 1916. Tomou então conta do Hotel o grande industrial Alexandre de Almeida, que presentemente nele está fazendo obras radicais.» in: Peregrinações em Lisboa, Norberto de Araújo

Nota: o texto anterior contém várias imprecisões. o ano de 1914, mencionado no texto anterior, por Norberto de Araújo para as obras de remodelação do edifício está errado. O edifício foi remodelado, conforme projecto do construtor civil Frederico Augusto Ribeiro, e só a fachada seria alterada por proposta de um desenho de um arquitecto alemão.

Foi neste Hotel que depois de muitas vezes nele hospedado, sempre que se deslocava a Lisboa, o médico Professor Dr. Bissaya Barreto faleceu a 16 de Setembro de 1974.

Anúncio em 1917

O primitivo edifício (1º à esquerda na foto) onde viria a ser construído o “Hotel Metropole”

Entradas do “Hotel Metropole” e do “Rocio Hotel” , em 1930

Este Hotel, então de 3ª classe, e com 36 quartos, mobilados com peças originais Art Nouveau, Art Déco e Queen Anne e com gravuras de Almada Negreiros, foi o 2º desta empresa, que viria a ser nos anos seguintes, arrendatária do “Palace Hotel do Bussaco” (1917), proprietária do “Hotel Europa”(1921), em Lisboa, proprietária do Palace Hotel” da Curia (1921) e proprietária do “Hotel Astória  (1926) em Coimbra.

 

 

Ementa de 1960


gentilmente cedido por Carlos Caria

Neste momento o “Hotel Metrópole”, de 3 estrelas, encontra-se a aguardar aprovação por parte da Câmara Municipal de Lisboa para o seu projecto de expansão para um edificio contiguo, acção que duplicará a sua capacidade, passando o número de quartos dos actuais 36 para 67. A expansão permitirá a sua reclassificação para 4 estrelas. Esta unidade hoteleira continua a proporcionar uma experiência ao estilo dos anos 20 do século XX, estando completamente decorada com peças originais da época.

 

 

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hotel Metropole

22 de maio de 2015

Papelaria Fernandes

A “Papelaria Fernandes” foi fundada em 1891, quando Joaquim Lourenço e o seu sobrinho Artur Lourenço fazem uma sociedade tomando de trespasse uma loja na então Rua do Rato, hoje Largo do Rato, em Lisboa.

O nome “Fernandes” foi herdado do anterior proprietário da loja, pelo facto dos clientes assim tratarem Artur Lourenço, o que levou levou os dois sócios a adoptar oficialmente a designação de "Fernandes & Companhia, Lda", em 1919.

“Papelaria Fernandes”, no Largo do Rato

A designação manteve-se até 1957, data em que a empresa foi transformada em sociedade anónima e se passou a chamar "Papelaria Fernandes, SARL", designação até 1986.

A actividade industrial do grupo data de 1917, com o arranque da tipografia e do fabrico de sobrescritos e, mais tarde, com encardernação, litografia, gravura e cartonagem. Já a expansão da rede de lojas acontece a partir de 1931, com a abertura de um primeiro espaço na rua do Ouro.

“Papelaria Fernandes”, na Rua do Ouro, a partir de 1931, mesmo ao lado da Papelaria Progresso

Para consultar a história acerca da “Papelaria Progresso”, fundada por António Vieira” na Rua Áurea em 1908, consultar neste blog o seguinte link: Papelaria Progresso

                                               1931                                                                                 1947

          

Factura de 1955

O funcionário mais antigo da “Papelaria Fernandes”, José Pinto - funcionário há mais de 45 anos - recorda: «o cliente não mexia nos produtos. Ia ao balcão e pedia o que queria, nem que fosse apenas uma borracha. Até havia uma área dedicada apenas aos militares. Relembra como as filas na loja Largo do Rato, onde trabalhou a maior parte do tempo, estendiam-se a perder de vista à hora de almoço, à espera da abertura das portas às 15 horas»

Montras da loja no Largo do Rato

 

                           Loja da Rua do Ouro em 1968                                                                 1965

 

Os anos 70 do século XX, marcaram também a chegada das primeiras máquinas, começando a substituir o trabalho até então 100% manual. Mais tarde houve mesmo uma formação em computadores.

Em 1986, a empresa volta a mudar de designação, desta feita para "Papelaria Fernandes - Indústria e Comércio, SA", e a admissão à cotação na “Bolsa de Valores de Lisboa” dá-se um ano mais tarde. Em 1988, dá-se a entrada da “Inapa” no capital, accionista que passa a controlar a gestão da empresa. Assegura a sua reorganização orgânica, criando várias empresas, entre as quais a “Transfer” (transportes), a “Papelaria Fernandes - Lojas” e a “Fernandes Técnica - Desenho e Reprodução”.

A partir de 2000, a Inapa aliena a sua participação e é substituída pela “Fundação Ernesto Lourenço Estrada” e por Joe Berardo.

Loja do Largo do Rato

 

Loja da Rua do Ouro

 

Loja do Chiado, na Rua da Vitória

 

De referir que a empresa do universo “Papelaria Fernandes - Indústria e Comércio, S.A.” a “Fernandes Técnica - Desenho e Reprodução, S.A. “ manteve uma loja de cariz mais técnico na Rua Silva Carvalho, em Lisboa.

Nove anos mais tarde, a “Papelaria Fernandes” declarou insolvência em Abril de 2009. Em 25 de Agosto de 2010 encerra 12 das 14 lojas, tendo encerrado todas as lojas que detinha em Centros Comerciais. Restaram a loja no Largo do Rato e da Rua do Ouro. Em Outubro do mesmo ano arrancou um novo projeto, pelas mãos de um ex-acionista da Papelaria Fernandes, que não quis deixar morrer este negócio.

Em 13 de Dezembro de 2013, foi inaugurada a loja “Papelaria Fernandes/Moda”, nas antigas instalações da “Papelaria da Moda”, na Rua do Ouro, que se veio juntar às outras três já existentes.

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Papelaria Fernandes